Saúde

Pneumologista critica banalização da Covid-19 por Bolsonaro: 'Atitude lamentável'

Segundo a especialista, apologia à cloroquina não tem apoio da comunidade científica

[Pneumologista critica banalização da Covid-19 por Bolsonaro: 'Atitude lamentável']
Foto : Divulgação

Por Matheus Simoni no dia 08 de Julho de 2020 ⋅ 13:08

Pneumologista e membro da Sociedade Baiana de Pneumologia, a médica Larissa Voss Sadigursky criticou a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) de minimizar os impactos do coronavírus na sociedade brasileira. Em entrevista à Rádio Metrópole hoje (8), ela comentou que é necessário ter noção de que não há comprovação científica de que a hidroxicloroquina, medicamento defendido pelo presidente, seja eficaz contra a Covid-19. "Acho a atitude lamentável. É banalizar uma doença que 97% dos pacientes ficará bem, mas 3% das pessoas vão morrer. Hoje perdi um paciente jovem, bem querido, de 39 anos, com uma vida pela frente e filho para criar. Estou bem abalada, inclusive, vendo uma atitude dessa do nosso presidente, que deveria acolher o cidadão e não banalizar uma doença que é desconhecida e que dá medo nem saber tratar", declarou a pneumologista. 

"Fazer apologia a uma medicação que não se tem a menor comprovação científica de que faça bem. Eu até entendendo que todo mundo pode estar errado, que existem diversos lugares no Brasil que está usando a medicação como uma tentativa de fazer um tratamento precoce da Covid. É importante a gente ressaltar que não tem nenhuma comprovação de que isso seja eficaz. Talvez tenha o contrário, que não tem benefício nenhum para paciente internado com cloroquina. A pergunta que fica é, se esses pacientes tivessem introduzido hidroxicloroquina lá no início dos sintomas, será que teria um benefício? Ninguém sabe responder, talvez todos estejam errados e ele esteja certo", acrescentou.

Ainda de acordo com Sadigursky, a crítica sobre a cloroquina e a falta de eficácia comprovada atrasa o debate sobre a importância de assegurar as vidas em meio à pandemia. "Independente de introduzir ou não medicação, sem apologia, tanto o médico que não introduz preza pelo primor da doença quanto o médico que introduz, mesmo de forma empírica pensando em salvar o paciente, querem o bem desse paciente. Não tem um médico que esteja tratando ou não Covid hoje em dia que esteja fazendo ou não medicação que quer que o paciente se dê mal. Todos estão na esperança dele evoluir", concluiu.

A pneumologista reforçou que a população deve ter em mente a importância de se manter atento ao distanciamento social, mesmo após o retorno à normalidade. "Mesmo quando a vida voltar ao normal, a gente não pode esquecer de tomar os nossos cuidados e não fazer igual ao que aconteceu no Rio de Janeiro, ali no Leblon, aquele absurdo de se aglomerar e  tudo o que está se falando, expondo as pessoas, temos que ter cuidado para não voltar tudo de novo. Quando voltar a vida ao normal, precisa respeitar o distanciamento social, higienizar com álcool em gel e não expor pessoas no grupo de risco", disse a especialista. 

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