Saúde

Pesquisadora critica postura de Bolsonaro e alerta para Ivermectina: ‘Perigo para saúde coletiva’

A reabertura de bares e restaurantes – feita em estados como São Paulo e Rio de Janeiro – mostra, para Natalia Pasterbak, que o critério econômico tem se sobressaído ao científico

[Pesquisadora critica postura de Bolsonaro e alerta para Ivermectina: ‘Perigo para saúde coletiva’]
Foto : Reprodução / Youtube

Por Alexandre Galvão no dia 09 de Julho de 2020 ⋅ 13:34

Doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), a bióloga Natalia Pasternak criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro na gestão da pandemia causada pelo coronavírus. De acordo com a pesquisadora, Bolsonaro fez uso da cloroquina como quem divulga um comercial de margarina. 

“Foi terrível. Parecia um ato publicitário. 'Tome aqui a cloroquina, faz bem pra sua família'. É muito difícil ter o presidente fazendo propagando de remédio sem comprovação científica. A gente sabe que essa relação de melhora é igual ao chá da vó. Vindo do presidente da República, um péssimo exemplo que pode levar as pessoas a se automedicarem. A cloroquina tem efeitos colaterais. Saiu reportagem dizendo que ele faz dois eletrocardiogramas por dia. Quantas pessoas da população têm acesso a essa intervenção? É bem complicado”, alertou, em entrevista  a Mário Kertész, na Rádio Metrópole

Outro medicamento que se popularizou – mesmo sem base científica – no combate ao coronavírus foi a Ivermectina, vendida em farmácias contra piolhos, pulgas e vermes. Natalia Pasternak alerta para o uso coletivo da medicação, que pode dar uma falsa sensação de segurança na população. “Na dose de bula, o remédio em si não é perigoso. Individualmente, a Ivermectina não vai fazer mal para ninguém, mas coletivamente causa um mal de saúde pública que é o uso profilático. Isso pode levar as pessoas a um comportamento de risco, que é a falta de preocupação. A Ivermectina nem foi testada, só em cultura de células. A cloroquina não, já foi testada e reprovada. A ivermectina pode ser que tenha efeito? Se tiver, ótimo. Mas ainda não se mostrou, a probabilidade de ter sucesso é baixa. A dose que os pesquisadores usaram quando em célula é altíssima, que se reproduzida em gente, seria grave. Tem grande probabilidade de não funcionar, mas está sendo testado. Antes do resultado, não tem motivo da gente usar”, afirma. 

A reabertura de bares e restaurantes – feita em estados como São Paulo e Rio de Janeiro – mostra, para Natalia, que o critério econômico tem se sobressaído ao científico. “Por qual motivo estamos abrindo bar e restaurantes antes de abrir praias e parques, onde o contágio é menor. Ou escolas, que é mais essencial. As decisões estão sendo tomadas com base na economia e não na ciência”, constatou. 

A pesquisadora pediu mais racionalização no uso do dinheiro público. Recentemente, o Exército Brasileiro produziu, a pedido do presidente da República, um estoque de Cloroquina que pode abastecer farmácias por 16 anos. “É preocupante que se gaste tanto dinheiro dos cofres públicos para comprar Ivermectina ao mesmo tempo que faltam anestésicos, respiradores. Precisamos usar o dinheiro público de forma mais racional. Não é um risco individual, mas é um risco de saúde pública. Se as pessoas se sentem protegidas, podem colocar as pessoas em risco de contágio. Não temos nenhum plano do governo federal, nosso ministério da Saúde sem ministro continua apoiando. Falta uma diretriz”.

Notícias relacionadas

[Coronavírus: Bahia registra 70 mortes em 24 horas]
Saúde

Coronavírus: Bahia registra 70 mortes em 24 horas

Por Kamille Martinho no dia 30 de Julho de 2020 ⋅ 18:10 em Saúde

De acordo com a Sesab, a elevação do número de óbitos diários deve-se, exclusivamente, a um represamento temporário dos dados do município de Salvador, em virtude da meto...